sábado, 3 de outubro de 2015

Caipirismo tecnológico

Desde que a revolução industrial começou a inundar a vida do cidadão comum com todo tipo de buginganga, que pessoas do mundo todo fascinadas com os lançamentos fazem das tripas coração para obte-los e para estarem atualizadas com as novas tendencias em tecnologia, possuir e exibir- ou seja - esnobar as suas novidades. E no que diz respeito ao mundo da informatica e da tecnologia da comunicação não é diferente.
Mas o que é interessante e na realidade até patético, é o que vem acontecendo atualmente bem diante dos nossos olhos. Trata-se do exibicionismo da comunicação eletrônica. Antes as pessoas só esnobavam móveis, eletrodomésticos, residências e seus automóveis. é uma forma de demonstrar status e ser aceitas entre seus pares na sua faixa social. Só que agora há também aqueles que esnobam a rede social ou aplicativo de comunicação que utilizam.
essa tendência até que não é tão nova. Quando a internet se tornou aberta para quem tivesse uma linha telefônica discada, era comum ver conversas onde o pessoal se gabava de usar "mandic", "matrix", "zas", "uol", "zipnet", como provedor. Só o fato da pessoa acessar a internet, na época com um modem de 32.2 Kbps ja era coisa para despertar inveja em uns e admiração em outros. 
A Internética
Quem tem acesso a internet hoje em dia é um mero usuário. É a mesma coisa de ser ciclista, ou usar óculos, ou ter linha de ônibus passando perto de casa. Mas naquela época quem acessava internet era denominado internauta. Pra quem não tinha acesso - na época a maioria esmagadora, ser internauta, soava quase como ser astronauta, coisa do outro mundo! E isso era alardeado em novelas, em programas de auditório. Me lembro de um programa besta de auditório chamado "Super Positivo" apresentado pelo Otaviano, em que ele tinha garotas que vestiam ou encarnavam fantasias tipo índia, tiazinha, feiticeira, etc. E tinha uma delas que era a "internética". Vê se pode!
A mulher ficava numa parte do palco, num ambiente parecendo uma casa do "Big Brother" onde ela acessava a internet e ficava recebendo e enviando e-mails. Tipo assim: "vamos ver agora o que a internética está fazendo... ahhhh, ela tá digitando um e-mail!" ou então "olha só que site legal a internética entrou! Ôh, internética, da onde é este site? Ahhh, dos Estado Unidos?! Puxa!!!"...
Nessa época devido a ostentação cibernética o sonho de todo mundo era ser conhecido como "plugado", "conectado" ou para os mais afrescalhados - "web surfer". Ser internauta era estar no topo da "cadeia alimentar". Conforme o tempo foi passando e a economia do país melhorando, além do investimento do governo em inclusão digital, a internet deixou de ser coisa do outro mundo e virou carne-de-vaca. Depois vieram os telefones celulares (que em matéria de esnobação são um capítulo a parte), mas até hoje ter o ultimo lançamento em celular é como ter uma nave espacial que viaja no tempo. Só que os esnobes atuais - os que esnobam seu meio de comunicação eletrônica são muito mais ridículos.
Amantes do Tinder

Os forrozeiros já tem um tempo que fazem músicas falando sua vida no msn, orkut e no facebook. Engraçado que é ninguém quer ser identificado com o Skype, nem com o twitter e ou com o googgle plus. Recentemente vi um casal que se conheceu através de um papp de paquera, o Tinder, e se tatuaram com o ícone do mesmo!

Antes era facebook. Assim que as começaram operadoras começaram a incorporar o facebook, virou uma febre. Por exemplo, por mais de um ano ia e voltava do trabalho para um povoado na zona rural num ônibus empoeirado, com um monte de garotas mal-vestidas que trabalhavam de diarista em casa de família, mas elas não largavam seus dos xinglings nem um instante, que era para usar o facebook. Era incrível! As periguetes não tinham nem produto para alisar o cabelo, mas dinheiro para pagar o acesso ao plano de internet não faltava. ah, cerca de apenas um ano e meio, começaram a aparecer os smartphones com póssibilidade de acessar a rede wifi e quase que imediatamente a coisa mudou. Ninguém mais quer xing-ling e facebook. Agora é só whatsapp.
Já vi gente por aqui com o logo do whatsapp tatuado, também tô cansado de ver adesivo do whatsapp em carros, motos e caminhões. De repente ter whatsapp virou simbolo de status. Tem festas do Zap Zap, baladas do whatsapp.
Eu até entendo a popularização do aplicativo. ele realmente é uma revolução em termos de comunicação. Embora comprovadamente seja inseguro em vários sentidos. Mas pera lá, ostentar utilizar um aplicativo?! Seria o mesmo que uma pessoa sar por aí ostentanto um Walk-Talk - embora eu ja tenha presenciado isto muitas vezes no passado. Quando vemos alguém usando walk-talk: ou é um segurança, ou é um entregador de gás. Não dá para imaginar uma piriguete fazendo pose com um walk-talk. Eu gostaria de coletar estes casos, pois vai ser muito engraçado daqui 3 anos observar as pessoas que antes ostentavam este app, correrem dele assim como o diabo corre da cruz, como aconteceu com o orkut. 

Um exemplo clássico é o de uma garota no Paraná: correndo num carro a 180Km - "Charlava" alegremente tirando selfie feliz da vida,  quando numa ultra-passagem o carro capotou. E aí eu pergunto, o que você faria no lugar dela?


a) Sairia e pediria socorro?
b) Acudiria o motorista?
c) ligaria para emergência?
d) Faria uma selfie?

Pois é. A mulher tirou mais uma selfie!
Isso é um exemplo de como tem pessoas que preenchem suas vidas com gadgets a ponto de não desgrudarem deles nem nas horas mais estranhas.
A questão não é estar feliz com o resultado do APP ou do aparelhos, mas é achar que é agora uma pessoa mais valorizada porque tem o dito-cujo.
Como diria Chico Lang: "Assim caminha a mediocridade."


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