sábado, 3 de outubro de 2015

Caipirismo tecnológico

Desde que a revolução industrial começou a inundar a vida do cidadão comum com todo tipo de buginganga, que pessoas do mundo todo fascinadas com os lançamentos fazem das tripas coração para obte-los e para estarem atualizadas com as novas tendencias em tecnologia, possuir e exibir- ou seja - esnobar as suas novidades. E no que diz respeito ao mundo da informatica e da tecnologia da comunicação não é diferente.
Mas o que é interessante e na realidade até patético, é o que vem acontecendo atualmente bem diante dos nossos olhos. Trata-se do exibicionismo da comunicação eletrônica. Antes as pessoas só esnobavam móveis, eletrodomésticos, residências e seus automóveis. é uma forma de demonstrar status e ser aceitas entre seus pares na sua faixa social. Só que agora há também aqueles que esnobam a rede social ou aplicativo de comunicação que utilizam.
essa tendência até que não é tão nova. Quando a internet se tornou aberta para quem tivesse uma linha telefônica discada, era comum ver conversas onde o pessoal se gabava de usar "mandic", "matrix", "zas", "uol", "zipnet", como provedor. Só o fato da pessoa acessar a internet, na época com um modem de 32.2 Kbps ja era coisa para despertar inveja em uns e admiração em outros. 
A Internética
Quem tem acesso a internet hoje em dia é um mero usuário. É a mesma coisa de ser ciclista, ou usar óculos, ou ter linha de ônibus passando perto de casa. Mas naquela época quem acessava internet era denominado internauta. Pra quem não tinha acesso - na época a maioria esmagadora, ser internauta, soava quase como ser astronauta, coisa do outro mundo! E isso era alardeado em novelas, em programas de auditório. Me lembro de um programa besta de auditório chamado "Super Positivo" apresentado pelo Otaviano, em que ele tinha garotas que vestiam ou encarnavam fantasias tipo índia, tiazinha, feiticeira, etc. E tinha uma delas que era a "internética". Vê se pode!
A mulher ficava numa parte do palco, num ambiente parecendo uma casa do "Big Brother" onde ela acessava a internet e ficava recebendo e enviando e-mails. Tipo assim: "vamos ver agora o que a internética está fazendo... ahhhh, ela tá digitando um e-mail!" ou então "olha só que site legal a internética entrou! Ôh, internética, da onde é este site? Ahhh, dos Estado Unidos?! Puxa!!!"...
Nessa época devido a ostentação cibernética o sonho de todo mundo era ser conhecido como "plugado", "conectado" ou para os mais afrescalhados - "web surfer". Ser internauta era estar no topo da "cadeia alimentar". Conforme o tempo foi passando e a economia do país melhorando, além do investimento do governo em inclusão digital, a internet deixou de ser coisa do outro mundo e virou carne-de-vaca. Depois vieram os telefones celulares (que em matéria de esnobação são um capítulo a parte), mas até hoje ter o ultimo lançamento em celular é como ter uma nave espacial que viaja no tempo. Só que os esnobes atuais - os que esnobam seu meio de comunicação eletrônica são muito mais ridículos.
Amantes do Tinder

Os forrozeiros já tem um tempo que fazem músicas falando sua vida no msn, orkut e no facebook. Engraçado que é ninguém quer ser identificado com o Skype, nem com o twitter e ou com o googgle plus. Recentemente vi um casal que se conheceu através de um papp de paquera, o Tinder, e se tatuaram com o ícone do mesmo!

Antes era facebook. Assim que as começaram operadoras começaram a incorporar o facebook, virou uma febre. Por exemplo, por mais de um ano ia e voltava do trabalho para um povoado na zona rural num ônibus empoeirado, com um monte de garotas mal-vestidas que trabalhavam de diarista em casa de família, mas elas não largavam seus dos xinglings nem um instante, que era para usar o facebook. Era incrível! As periguetes não tinham nem produto para alisar o cabelo, mas dinheiro para pagar o acesso ao plano de internet não faltava. ah, cerca de apenas um ano e meio, começaram a aparecer os smartphones com póssibilidade de acessar a rede wifi e quase que imediatamente a coisa mudou. Ninguém mais quer xing-ling e facebook. Agora é só whatsapp.
Já vi gente por aqui com o logo do whatsapp tatuado, também tô cansado de ver adesivo do whatsapp em carros, motos e caminhões. De repente ter whatsapp virou simbolo de status. Tem festas do Zap Zap, baladas do whatsapp.
Eu até entendo a popularização do aplicativo. ele realmente é uma revolução em termos de comunicação. Embora comprovadamente seja inseguro em vários sentidos. Mas pera lá, ostentar utilizar um aplicativo?! Seria o mesmo que uma pessoa sar por aí ostentanto um Walk-Talk - embora eu ja tenha presenciado isto muitas vezes no passado. Quando vemos alguém usando walk-talk: ou é um segurança, ou é um entregador de gás. Não dá para imaginar uma piriguete fazendo pose com um walk-talk. Eu gostaria de coletar estes casos, pois vai ser muito engraçado daqui 3 anos observar as pessoas que antes ostentavam este app, correrem dele assim como o diabo corre da cruz, como aconteceu com o orkut. 

Um exemplo clássico é o de uma garota no Paraná: correndo num carro a 180Km - "Charlava" alegremente tirando selfie feliz da vida,  quando numa ultra-passagem o carro capotou. E aí eu pergunto, o que você faria no lugar dela?


a) Sairia e pediria socorro?
b) Acudiria o motorista?
c) ligaria para emergência?
d) Faria uma selfie?

Pois é. A mulher tirou mais uma selfie!
Isso é um exemplo de como tem pessoas que preenchem suas vidas com gadgets a ponto de não desgrudarem deles nem nas horas mais estranhas.
A questão não é estar feliz com o resultado do APP ou do aparelhos, mas é achar que é agora uma pessoa mais valorizada porque tem o dito-cujo.
Como diria Chico Lang: "Assim caminha a mediocridade."


Sistema completo para Design e Artes totalmente gratuito

Uma boa alternativa para quem quer iniciar na informatica numm ambiente gráfico voltado as artes (desenho, música, animação) ou simplesmente está cansado de penar com as agruras do software proprietário pirata, é a distribuição "Ubuntu Studio". 
Não vou perder tempo louvando ou destrinchando cada detalhe do sistema operacional - existem diversas análises que você pode acompanhar em outros blogs. Mas para quem quer iniciar numa distribuição linux e gosta ou quer trabalhar com áudio, vídeo, editoração eletrônica ou 3d, esta é a distribuição ideal, já que poupa o tempo que você gastaria ao ficar procurando os programas que correspondem as consagradas suítes proprietárias. Uma característica muito boa que o Ubuntu Studio tem é sua ferramenta para áudio que tem como diferencial a baixa latência - Por exemplo um sistema de alta latência determina um certo atraso entre a entrada e a saída de áudio e esse parâmetro é crítico quando se lida com som. Pode aparecer distorções no som e ecos indesejáveis. Num sistema de baixa latencia a entrada e a saída ocorrem quase ao mesmo tempo, dando a sensação que ocorre em tempo real e é humanamente impossível detectar diferenças.

Mais informações:

(http://www.vivaolinux.com.br/artigo/Ubuntu-Studio-10.04-conheca-e-instale)
(http://www.hardware.com.br/comunidade/ubuntu-studio/844499/)

Outra alternativa é o Linux Zorin, que já está na versão 10. Ele tem muitos pontos bons a favor dele mas os principais são que visto ser voltado pra quem é usuário do windows e quer conhecer o loinux já vem com sua interface gráfica com layout bastante aproximado ao do windows 7. Portanto o usuário acostumado com o windows não vai ficar se batendo com a interface para navegar no sistema e encontrar o que precisa. Além disso ele já vem com os softwares correspondentes aos do windows instalado - suite libre office, chrome, etc. E mesmo que você tenha programas do windows que não tem como viver sem eles, ele ainda tem o wine e o play on linux para que estes sejam emulados.

Mais informações:

http://www.linuxdescomplicado.com.br/2012/10/zorin-os-o-sistema-linux-mais-indicado.html

domingo, 21 de junho de 2015

O Caminho do Designer Alternativo - 1 (Inkscape)


A coisa mais comum no mundo do design, são pessoas que desejam ingressar na área do design eletrônico e expressar sua criatividade fazendo trabalhos de qualidade, através de programas de editoração eletrônica com recursos avançados, efeitos especiais e funcionalidades gráficas, entretanto, sem ter condições de pagar pelos mesmos. Visto que na maioria dos casos estes programas tem um custo elevado, levando em consideração a situação econômica dos interessados, a solução adotada pela maioria é apelar para o software ilegal. As suítes mais procuradas são as do Corel Draw e da Adobe. Até mesmo a plataforma para rodar  os mesmos pode ser ilegal. Versões pirateadas do windows XP, Vista, Seven, 8... são tão comuns como notas de 2 reais.
Chega ser engraçado ver gente reclamando dos efeitos colaterais do uso do software ilegal: quebrar a cabeça atrás de seriais e geradores de senhas (patch, keymakers ou keygen) que por sua vez acabam minando a segurança dos sistema do usuário. Além do aborrecimento de bugs e problemas inesperados acarretados devido a ausência de atualizações.
Vejo vários sites e blogs que prometem por exemplo burlar o PROTEXIS (sistema que assegura a autenticidade do Corel Draw mediante a comunicação do software com a Corel, impedindo cópia salvamento e exportação de arquivos criados em cópias detectadas como piratas). Quando os usuários tentam desativar o protexis, a suite simplesmente para de funcionar.
 Eu não vou ser mais um que vai ficar chorando aqui e reclamando do alto custo destes recursos, e acusando os desenvolvedores de serem arbitrários, visto que seus proprietários tem vários motivos para manter os valores de seus produtos neste patamar. Mas também não vou deixar de dar uma solução alternativa para este desafio.
Como geralmente quem passa por este tipo de dor-de-cabeça é geralmente o designer iniciante, sugiro que comece pelos softwares alternativos. Sim, independentes!

  • INKSCAPE

E a maioria já sabe ou já ouviu falar deles, por exemplo: no caso do Corel Draw o programa alternativo gratuito que mais se próxima é o InkScape. "Ahh mas é limitado!" Tô até vendo sua cara de desaprovação. Mas, pense bem, você não está começando agora? Qual é o grau de conhecimento do Corel que você tem? muito pouco, não é? Numa situação como esta por mais que se argumente que o Corel tem mais recursos, você não saberá como tirar proveito deles, terá de aprender primeiro para poder fazer direito. Então porque não aprende primeiro com o gratuito? Por incrível que pareça, mas você aos poucos vai descobrir que são os mesmos recursos que o Corel apresenta, só que numa estrutura diferente. O resultado final será o mesmo. Por experiência própria posso dizer isto porque trabalho com Corel Draw ha mais de 20 anos, e com certeza o grau de aproveitamento da ultima versão do InkScape (0.91) é o mesmo de um Corel Draw 11.
Mas, "peraí"!? você pode estar pensando - Corel 11? Essa versão é de 2002 - 13 anos atrás! Pois é. Mesmo assim posso afirmar com propriedade que trabalhei com esta versão até 2009 criando panfletos, anúncios, banners, placas e cartazes com qualidade. E não há recurso na versão atual (X7) ausente na versão 11 que me force utilizar a versão X7, além da necessidade de abrir arquivos provenientes de clientes ou parceiros que a usam (na maioria das vezes ilegalmente). E o Inkscape incorpora justamente estas características.
Não vou desmerecer o Corel Draw de forma alguma. No meu trabalho uso uma cópia legal do Corel X7, e estou muito satisfeito. Mas e se não tivesse conseguido uma cópia legal? O Inkscape certamente não me deixaria na mão. Como de fato não me deixa.
Mas talvez você aponte uma deficiência real que há nele, e de certa forma até séria, no caso de quem vai trabalhar com saída para impressão gráfica (prepress). Trata-se da impossibilidade de pre-visualizar cores CMYK nos trabalhos feitos nele. Existe até mesmo como utilizar o perfil de cores para produção dos trabalhos com o padrão de cores próprio para impressão Offset e Serigrafia (silk screen), mas na tela você vê o preview em RGB. Mesmo assim é possível você selecionar o padrão CMYK na paleta fill e stroke, onde tem o perfil CMYK.
E poderá salvar no formato SVG. Também pode salvar seu trabalho em PNG e depois abrir no Krita e converter para CMYK ali. Ambos os programas são para linux. (Já falo nele). Uma outra solução seria salvar em SVG e abrir no SK1 (aplicativo linux) para conferir as cores.
Não vou enganar, isto são soluções burocráticas. Mas servem tanto para ajudar a desenvolver destreza técnica no manuseio das ferramentas, como também ajuda a ter uma idéia de como os efeitos podem ser aplicados em cada plataforma.
Por falar em plataforma, eu mencionei o linux um par de vezes. As vantagens de se usar uma boa distribuição linux como sistema operacional são um capitulo a a parte. Falarei sobre isto num próximo post. Mas posso assegurar que é um ambiente excelente para quem precisa começar desenvolver design mas não quer correr os riscos inerentes de usar um windows pirata (segurança fragilizada, instabilidade, falta de atualizações críticas, etc.) Os programas que citei rodam muito bem nele e com excelente desenvoltura.
Em suma, o conselho que dou é: se você tem dinheiro, tem um bom computador e tem pressa de se juntar ao clube dos usuários que gostam de ostentar suas criações feitas em suites da Adobe e da Corel - crie vergonha na cara, pague pela versão original e deixe de ser um marginal gráfico.
Mas se você não tem dinheiro, está começando, seu PC ainda não é lá estas coisas, mas você é criativo e gosta de aprender, então entre de cabeça no Incskape e no linux e não terá com o que se arrepender. Aí com certeza mais adiante quando você já tiver prática e estiver ganhando dinheiro com seus trabalhos, quem sabe queira comprar uma cópia original de uma destas suítes famosas?
Prometo que vou passar a dar dicas e tutoriais de Inkscape, Scribus, Gimp, SK1, Blender bem como utilização de Máquinas Virtuais, para mostrar que é possível ser um bom designer alternativo.


quinta-feira, 17 de maio de 2012

Um Grito no Espaço



O que é o homem?
Não sei ao certo como comparar, pois não há na terra ou no universo algo que se possa comparar a personalidade humana. Sei que hoje sua duração é extremamente curta, principalmente quando a pessoa é querida e brilhante - sua existência nunca é longa o suficiente. 
Ultimamente, tenho me debatido muito sobre a validade de se lutar por manter uma identidade. Eu já com quase meio século de vida, acumulei uma vasta gama de conhecimento util e inútil, que sinto uma necessidade dolorosa de compartilhar - minha natureza me impele a fazer isso. Acho que tenho vocação para ser bibliotecário, discotecário, videotecário ou mesmo museólogo. Infelizmente, percebo hoje que vivo numa era onde o saber ocupa espaço e tempo! Sim. Agora quando você tenta compartilhar um pensamento ou um sentimento - de duas uma: Ou você é louco ou não tem o que fazer. Hoje se fala de livro e museu com desdém, como se fossem fardos, pragas que atrapalham o desenvolvimento.
Se perdeu a noção do que é romance. O romance se tornou inválido, assim como o cavalheirismo se tornou cafona. Assim como ser quarentão e brincalhão, virou ser “canastrão”, e ser canastrão hoje é brega. Quem é quarentão não tem mais o direito de brincar. Seu humor não vale mais - está defasado. 
Assim pensam alguns:  — Ah, vá ser da maçonaria ou do “clube de bocha” onde é seu lugar! Quem vive de história é museu!
Mas nem sempre o que tenho pra compartilhar são coisas sem valor. As vezes é um aviso, um lembrete.
Criaram-se regras sobre compartilhamento de idéias. E hoje a menos que o que você tenha a dizer, venha trazer vantagem imediata pra quem ouve, ou seja um segredo que ninguém deveria saber, muitas vezes nem aqueles que se dizem  seus amigos tem interesse em saber.
A geração atual não lê mais. Apenas assiste. Escrever e ler virou coisa do passado. Tudo é imediato, tudo é digital, tudo tem que ser on-line, tudo tem que ter uma foto, um som, e por ser imagem é tido como sendo de maior valor e subjetivamente como sendo a verdade.
Mas imagens enganam, assim como as aparências, e as mídias em que elas aparecem podem as manipular da forma que quiserem. E poi isso muitos ao se depararem com questões como estas, chegam a conclusão de que NADA é mais verdadeiro, que NADA MAIS É REAL, e que só sua própria verdade é a que vale. E mesmo a verdade que seus amigos conversam com você, não tem validade - pois quando começam a falar parece que não tem a profundidade que você supõe ter do assunto, e aí o que fazem contigo? Mudam de assunto. 
É triste. É solitário.
Por isso hoje cheguei a conclusão que, nestes últimos dias, a melhor coisa que existe pra quem tem experiência, é ter a família, ou amigos da sua idade.
Se tem amigos da geração atual - esqueça, eles não vão te entender, não falam sua língua.
Nossos filhos e nossos pais, são os únicos que tem interesse e prazer em saber quem somos nós. Principalmente nossos filhos. São os únicos a quem você pode contar um pensamento, uma piada, fazer uma brincadeira, pois são aqueles que falam sua língua. E que dão valor e tem curiosidade sobre o que você faz.
Como disse um senhor japonês idoso, ao ser perguntado sobre o que ele perdeu de valor durante a explosão da bomba de Hiroxima: ele disse que foram os amigos. Pois os amigos que você faz durante sua juventude são os que vão crescer com você e vão ter algo comum com você a vida toda. Ele perdeu seus amigos com a bomba e hoje no fim da vida não tinha com quem compartilhar suas lembranças.
Por isso hoje eu desabafo, com a mesma certeza de quem grita no espaço: MEU GRITO NÃO SERÁ OUVIDO. Só há um que sabe ao certo o que penso e porque, este  é meu Deus que me deu a vida, e ele me compreende. Quanto aos outros que não são da minha família, cuidem bem da sua, cuidem bem dos seus amigos, pois estes são os únicos que vão dar valor aquilo que você tem a compartilhar e que te ouvirão se você GRITAR.
E se você me ver “gritando” por aí. Não critique. É normal. Amanhã você poderá estar “gritando também”.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Ser ou não ser clássico? Eis a questão.

O que é ser clássico? Não é ser velho, mas sim experiente. O clássico é previsível e estável. Você conhece seus limites e tem segurança de que, daquilo que ele é ou representa, ele não sairá. É um padrão.
O clássico demostra em seu visual de onde veio, pra que veio e quem o fez. Já o que é velho é o que é ultrapassado e totalmente sem proveito.
A desvantagem de se ser um clássico no mundo em que vivemos é que você é apreciado por poucos. Clássicos são pessoas que tem um bom conhecimento de fatos e história geral, que se especializam num determinado aspecto da história, ao ponto de acabar se apegando aos seus detalhes, e estes por fim fazendo parte de sua vida para sempre.
O grande problema é que a maioria não entende isso, e vive dizendo: Ah, esse Abner... Só você mesmo pra gostar dessas antiguidades... ou então: Lá vem o Abner com suas histórias... e aí  fica uma coisa chata porque se você está chamando a atenção à algo ocorrido ou vivido no passado, não é por que quer exatamente revive-lo, mas é por que viu uma paridade no que acontece hoje. E o objetivo de se estudar história é por que ela vive se repetindo, é baseado no que ocorreu no passado que viemos a entender o presente e saber o que esperar do futuro.
Sou um saudosista no que se refere a arte e design, mas isso não quer dizer que eu ache o que se tinha no passado mais eficiente do que se tem hoje.
Na realidade coisas desenvolvidas no passado, nem sempre se tornam totalmente obsoletas ou sem uso. Se tornam alternativas.
Por exemplo: A energia elétrica nos tornou reféns das hidroelétricas. A indústria automobilística nos tornou dependentes da grandes empresas petrolíferas. E o mundo da informática nos fez reféns da Microsoft.
Mas como as pessoas se viravam antes de haver estes avanços tecnológicos? Posso dizer porque vivi esta época:
As pessoas tinham mais trabalho, entretanto tinham mais tempo e compartilhavam mais. Hoje com tantas redes sociais as pessoas se conhecem cada vez menos e compartilham menos.
Também havia mais emprego e mais oportunidades de trabalho. Hoje com tanto estudo e com tanta tecnologia, vejo uma juventude com muito menos sonhos e perspectivas. Vivendo somente o hoje, sem saber como planejar o amanhã, assistindo passivamente a vida dos outros e não vivendo as suas.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

TRON - Uma Odisséia Eletrônica X TRON - O Legado


Sou um admirador de ficção ciêntífica, ou melhor, da boa ficção científica. Aquela que imaginada primeiramente por autores brilhantes como Julio Verne, Isaak Asimov, Robert Heinlen, Francis K. Dick e Willian Gibson. Daí cientistas sonhadores e empolgados, inspirados nas possibilidades imaginadas pelos autores, se atiram em pesquizas que acabam resultando em inventos e descobertas reais. Como por exemplo o Fax, o foguete espacial, o submarino, o raio laser, telefone celular, etc.

Eu nunca fui empolgado por TRON. Gosto de filmes com bons roteiros (estórias), e sempre soube que era um roteiro bem superficial, um filme que se os criadores tivessem aproveitado melhor a idéia, poderiam ter conseguido emplacar muito melhor. Minha admiração por TRON se limita apenas a questão da tecnologia. Tenho vamos dizer, uma reverência tecnológica por TRON - um respeito.

Observe que naquela época, não havia ainda a expressão "multimídia", não havia DVD, o Macintosh - computador com melhores recursos de video e som na epoca - ainda nem engatinhava, mamava e mijava nas fraldas. Não haviam nem programas profissionais de renderização de imagem voltados para a animação. Mouse?! o que é isso?! Tudo foi criado excepcionalmente para o filme, servindo de plataformas para muitas outras produções que viriam depois, e se tornando a referência para a criação de softers, efeitos e plataformas exclusivas para a criação computadorizada.

Comparo TRON aos trabalhos da banda Kraftwerk, no início da década de 80. Era um som que não servia pra dançar, que em muitos casos irritava e que pouquíssimas pessoas conhecem, entretanto foi um experimentalismo que abriu as portas para a música eletrônica. Todos os efeitos musicais, programas e instrumentos eletrônicos que hoje existem voltados para música eletrônica em todas as suas vertentes, são descendentes do que o Kraftwerk entre outros artistas criaram. Assim é TRON.

TRON foi influência para o filme War Games (1983), e principalmente do seriado Automan - no mesmo ano, e de muitos outros da mesma época e que cogitavam a possibilidade de uma interação entre o mundo digital e o mundo físico.

Ainda não assisti a TRON O LEGADO, mas ainda vou assistir. Espero que tenham aproveitado melhor o argumento - colocado maiores e melhores diálogos. Agora você tem que concordar comigo: TRON é avô de Matrix, e nasceu de quem leu Neuromancer (uma visão do futuro da informática e do mundo bem hardcore - uma espécie de 1984 da informática). O próprio MCP lembra muito o ditatorial HAL 9000 de 2001 Uma Odisséia no Espaço.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O que há de romântico no design?

Pra desenhar legal, tem que ter mais do que imaginação. Tem que ter paixão pelo que você desenha. A idéia vem na cuca e você se amarra nela, e não larga enquanto o desenho não sai alí - redondinho.
Sim - o desenho romantico é arredondado. Tem harmonia nas formas, tem uma linguagem - conta uma história.
É por isso que quando você está inclinado a criar algo pra alguém, seja por questão financeira, ou por questão sentimental, você tem que ter uma ligação sentimental com o que cria. É como cantar. Não sei se acontece com você caro leitor, mas às vezes tenho vontade de ouvir música, e não tenho como ouvir no momento, e então eu canto. Mas aí algo engraçado acontece. Não acho nada que me agrade pra cantar. A música simplesmente não continua e então eu paro.
Entretanto, quando estou a fim de cantar mesmo, sozinho, andando pela rua, músicas e mais musicas vem, e se eu souber a letra, canto todas, talvez até mais de uma vez.
Assim acontece também com o desenho. Quando falta a inspiração, por mais habilidoso que você seja, e por mais criativo que seja, o que sai da sua mão não tem vínculo como você, e então mau você terminou de esboçar, e já está com vontade de jogar no lixo. Ou então termina o esboço, guarda sua criação, e no outro dia quando vai olhar, mal reconhece o que fez:
— Mas que porcaria é isso aqui?! Fui eu quem fez isso mesmo?
Pior ainda quando você vai refazer, e quanto mais refaz, pior fica. Estou com um caso assim na mão no momento. Não consegui pegar paixão pela idéia do trabalho, e não está me saindo nada que me agrade, e meu cliente acha a mesma coisa.
Aí vem sempre uma vozinha na minha cabeça que diz assim: Olha só a fonte que fulano usou naquele anuncio da revista... Ou olha que efeito "da hora" tem no site de Beltrano...
Sou da opinião de que se tratando de arte, você não pode ficar repetindo fórmulas. É como escrever poesia para a pessoa por quem tem paixão.
Quando você faz uma poesia para alguém, é só pra esta pessoa. Foi um período de tempo que você dedicou somente a ela. Sacrificou parte da sua vida para ela. Não poderá usar a mesma poesia para outra pessoa, ou copiar a poesia de outro poeta e colocar seu nome e mandar para quem você ama.
Assim deve ser com o design. Então se quer fazer algo que seja realmente significativo para você, faça com paixão, caso contrário - não faça.